quarta-feira, 6 de abril de 2011

FILOSOFIA - 2. Trabalho: liberdade e submissão

   Entendemos por trabalho toda atividade na qual o ser humano utiliza sua energia para satisfazer necessidades ou atingir determinado objetivo. O trabalho é uma atividade tipicamente humana. Suas funções:
- em seu aspecto individual: pode permitir ao homem expandir suas energias, desenvolver sua criatividade e realizar suas potencialidades;
- em seu aspecto social teria como objetivos últimos a manutenção e satisfação da vida e o desenvolvimento da sociedade.
   Ao longo da história em vez de servir ao bem comum, o trabalho foi utilizado para o enriquecimento de alguns. Foi transformado em instrumento de alienação. A primeira divisão de trabalho teria se dado entre os sexos.
   Durante a Antiguidade o trabalho manual foi considerado atividade menor, desprezível. Valorizava-se o trabalho intelectual. O filósofo grego Aristóteles dizia: "A utilidade do escravo é semelhante à do animal". Na Idade Média o referiam-se ao trabalho como um "bem árduo", por meio do qual cada indivíduo se tornaria um homem melhor; porém valorizava-se o intelectual. Na Idade Moderna o trabalho foi revalorizado. O sucesso econômico foi interpretado como um sinal de bênção de Deus. Na Idade Contemporânea o filósofo alemão Friedrich Hegel definiria o trabalho como elemento de autoconstrução do homem. Karl Marx analisou o papel negativo do trabalho: sem outra opção para sobreviver, este é obrigado a vender sua força de trabalho para quem detinha meios de explorá-la. Marx analisa o processo de alienação.
   A palavra alienação: "tornar algo alheio a alguém", "tornar algo pertencente a outro". O termo alienação seria aquele em que o homem após transferir suas potencialidades para os seus produtos, deixa de identificá-los como obra sua. Os produtos são "estranhos" a quem os produziu.
   Trabalho alienado. A organização do trabalho em linhas de operação e montagem aperfeiçoada pelo engenheiro Frederick Taylor levou o nome de taylorismo.
   A fragmentação do trabalho conduz a uma fragmentação do saber. O trabalho alienado produz para satisfazer as necessidades do mercado e não propriamente do trabalhador. O trabalhador só se sente feliz em seus dias de folga enquanto no trabalho permanece aborrecido.
   Consumo alienado. É principalmente entre a parcela da população de bom poder aquisitivo que ocorre o fenômeno de consumo alienado.
   Relação produção-consumo. A produção cria não só bens materiais e não-materiais, mas também o consumidor para esses bens. A propaganda impulsiona nos indivíduos a necessidade de consumir mercadorias. E o consumo cria a necessidade de nova produção. O circuito produção-consumo não visa atender às necessidades individuais, mas sim às necessidades de expansão do sistema capitalista, de busca permanente de lucratividade. Acumula-se capital a fim de se acumular mais capital. Nesse processo, algumas pessoas vivem ve, outras miseravelmente.
   Cultura do consumo. A lógica do consumo se baseia exatamente na impossibilidade de que todos consumam. O consumo funciona como uma forma de afirmar a diferença entre os indivíduos. O fato de que alguém possuir um automóvel de luxo só tem sentido se poucos indivíduos o puderem ter. O objeto adquirido funciona como diferença de status. Esse tipo de consumo alienado é movido pelo desejo do consumidor de sentir-se uma "exceção" em meio à multidão. O consumidor compra rótulos e grifes.
   Multidões frequentam shoppings para contemplar as novidades das vitrinas. Essa desesperada neofilia (amor obsessivo pelas novidades) afeta praticamente todas as relações de que o homem é capaz com o mundo exterior. Produzir objetos que logo se tornam obsoletos é um princípio fundamental da indústria capitalista.
   O trabalho é tido unicamente como um meio de sobrevivência: quem não trabalha não come. Tudo leva a crer que o processo tecnológico eliminará cada vez mais o trabalho humano, que todo o esforço físico e intelectual poderão ser delegados a máquinas e que ao homem restará só o monopólio das atividades criativas. Da automatização pode surgir uma sociedade do desemprego.

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